terça-feira, 13 de abril de 2010

Humor no Mundo da Economia

Aconteceu com um amigo meu economista. Em um jantar de família, a avó dele o chama “Meu neto, você estudou economia na faculdade, não é?”, “Sim vó, eu estudei.”, “Pois tenho uma pergunta a lhe fazer.” Nessa hora, em questão de segundos, passam em sua mente relatórios dos números de inflação, gráficos e mais gráficos de câmbio com taxa de juros e argumentos dos principais teóricos sobre o crescimento econômico. Afinal, era bom estar preparado para não fazer feio na frente de tantos familiares: os pais, que financiaram o ótimo curso, o tio engenheiro, que sempre acompanha o caderno de economia no jornal e a avó, que lhe faria a questão. Quando já estava preparado para mostrar todo o conhecimento que aprendeu na faculdade, eis que escuta: “Você sabe se o banco vai abrir na segunda-feira?”.

Os economistas em seus longos e duros anos de estudo na graduação, mestrado e doutorado aprendem muitas teorias e ideias econômicas, sendo que várias devem ter passado na cabeça do meu amigo em seu jantar. Quero compartilhar alguns dos conceitos e fatos do mundo da economia e de seus profissionais, mas com um lado humorístico. Nós também temos senso de humor: por que você acha que as estimativas de inflação são divulgadas com uma casa depois da vírgula?

Outro dia fui jogar a nova versão para economistas do jogo de tabuleiro Master. Havia mil perguntas e três mil respostas certas. Isso porque as soluções de muitas questões em economia não são exatas nem são prontas, existindo várias opções. Tudo depende das variáveis que estão envolvidas. E elas não são fixas (constantes), o que faz necessário ter um pensamento de reação em cadeia (como no filme Efeito Borboleta). Para simplificar o pensamento, os economistas se utilizam de modelos econômicos, conseguindo extrair somente o necessário. Mas para isso, é preciso fazer suposições e trabalhar com hipóteses. Às vezes não dá certo. Paul Samuelson, ganhador de prêmio Nobel, uma vez contou que um físico, um químico e um economista estavam perdidos em uma ilha deserta, sem nada para comer e dispunham somente de uma lata de sopa. Para abri-la, o físico sugeriu: “Vamos bater na lata com uma pedra”. O químico disse: “Vamos fazer uma fogueira e aquecer a lata até que se abra.” Já o economista pontificou: “Suponhamos que temos um abridor…”



É verdade que falam que os economistas só vivem nesse mundo de modelos (eu não acho muito complicado, dado a minha cara de felicidade na foto ao lado). Mas eles são úteis também para fazer previsões sobre os números (com várias casas decimais) e o comportamento da economia. Falam que as previsões são como “tentar dirigir um carro com os olhos vendados e ouvindo instruções de uma pessoa que está olhando para a janela de trás”. E que, geralmente, elas revelam que a melhor época para comprar qualquer coisa é o ano passado. Ok, porém nós conseguimos prever nove das últimas cinco recessões.

Em ambos os casos, no da opção para abrir a lata da ilha e nas previsões das recessões, os modelos podem não dar certo. Mas também a vida real é um caso muito específico.

Certa vez fui a um happy-hour com uns colegas. Pedi a uma economista que estava no evento o número de seu telefone: ela me deu uma estimativa! A matéria de economia não é exata, mas sempre estamos envolvidos com números. E há um em específico que acaba se tornando a resolução dos problemas: a média. Se eu comer dois sanduíches e você nenhum, na média estamos comendo um sanduíche cada. Está tudo bem. Se eu ganhar doze salários e você, dois, temos uma boa renda per capita. É como naquela piada: três economistas saíram para caçar e encontraram um alce. O primeiro economista atirou, mas errou por um metro à esquerda. O segundo economista atirou e também errou, por um metro à direita. O terceiro economista não atirou, mas gritou em vitória: “Pegamos, acertamos!”. Na média, eles atingiram o animal. Se a garota tivesse me dado a média dos números do telefone...

Há um conceito que aprendi nas aulas de finanças que se chama Hipótese de Mercado Eficiente. Esta ideia diz que, se o mercado for eficiente, todas as informações disponíveis já estão sendo consideradas no preço de um ativo e as novas informações que vierem são imediatamente incorporadas. Ou seja, não existem barganhas e oportunidades anormais para se ganhar dinheiro. Lembrei deste assunto quando estava andando na rua e encontrei uma nota de 100 reais na calçada. Logo, veio-me à memória a fala de meu professor sobre os mercados eficientes “Parece, mas não é uma nota de 100 reais dando bobeira. Se fosse, alguém já teria passado e ficado com ela”. Concluí que, fora da teoria, foi bom o mercado ter sido ineficiente naquele dia.

Se esse fato ocorresse no Zimbábue, a hipótese de haver uma nota equivalente na calçada seria muito forte, pois lá o dinheiro “derretia” em questão de segundos. Em 2008, a taxa anual de inflação no país africano chegou a 231 milhões por cento, segundo dados ditatoriais oficiais. Quando o cidadão acordava, os preços eram um e quando ela se deitava para dormir, os preços já eram o dobro, ocorrendo uma inflação diária de 100%. Essa taxa era tão alta que o dinheiro do país quase não significava mais nada: salários perdiam o valor no momento do pagamento (e este só ocorria quando havia cédulas suficientes), e o papel-moeda quase não valia o material com que era impresso. Compensava mais usar até algumas notas como papel higiênico. Os computadores e calculadoras não conseguiam lidar com tantos dígitos da moeda e a população saía nas ruas com montanhas de dinheiro para fazer compras.






Parodiando o caso brasileiro de corrupção, queria ver o presidente Robert Mugabe e seus oficiais colocarem a propina na cueca. Não daria para comprar nem uma Coca-Cola. Nem panetones.

Semana passada eu fui a uma palestra sobre o liberalismo econômico e a Escola de Chicago. Cheguei atrasado, Time is Money. (Aliás, os chineses da Rua 25 de março utilizam no sentido literal este provérbio. Eles ganham muito dinheiro vendendo relógios a “Cento e tlinta leais, sem galantia”). Essa escola de pensamento econômico possui um termo interessante introduzida pelo seu mais importante teórico, Adam Smith, pai da economia moderna. É o termo da Mão Invisível. A ideia fundamenta que numa economia livre, apesar da inexistência de uma entidade coordenadora, os indivíduos são movidos apenas pelos seus interesses e essa atuação egoísta de cada um resulta em um bem-estar para a sociedade, como se houvesse uma "mão invisível" que os orientasse. Eu acredito na teoria, mas ela não funciona dentro de casa, por exemplo. Experimente falar para a sua mulher, quando ela pede para trocar uma lâmpada no banheiro, que o mercado fará por conta própria e não será necessário sair do sofá. Laissez-faire! A única teoria que passará a acreditar é na “mão” que lhe acertou um tapa de forma rápida, de forma “invisível”.

Continuando nessa escola de pensamento, gostaria de destacar um famoso economista liberalista, também ganhador de prêmio Nobel, Milton Friedman. Ele era um grande defensor do monetarismo, teoria em que a estabilidade de uma economia capitalista pode ser mantida através de instrumentos monetários (volume de moeda). Acredito que devia ser fácil ganhar ponto de participação nas aulas dele: caso o aluno dormisse e ele o chamasse para responder alguma questão, bastava responder: “É necessário aumentar a oferta de moeda.” Bingo! Friedman é também o autor da frase famosa entre os economistas: “There is no free lunch.” Significa que nada é de graça, mesmo parecendo. Mas o francês do vídeo abaixo explica como conseguir um “repas gratuit”.

Um comentário:

  1. Parabens! eu ainda não sou um economista, vou começar a faculdade esse ano, mais a cada artigo, a cada reportagem, a cada informação que tenho sobre esse magnifico assunto, fico mais apaixonado... parabens pela matéria

    ResponderExcluir


Free Web Counters